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Franchising

A história do franchising no Brasil e no mundo

13 min de leituraCarlos Griebler

Está considerando o franchising como modelo de expansão para sua empresa ou mesmo como caminho para realizar o sonho de ter o próprio negócio? Saiba que uma ótima fonte para conhecer ainda mais sobre o que o modelo de franquias traz e representa é a própria história do franchising

Ou seja, para descobrir o que levou o modelo de negócio a se aproximar dos 200 bilhões de reais de faturamento no Brasil apenas em 2021, precisamos reconstruir e revisitar suas origens. Desde uma simples ideia de uma fabricante de máquinas de costura, passando pelo licenciamento para fabricação de refrigerantes até a chegada das primeiras franquias a terras brasileiras.

Para te ajudar a se situar nesse mar de histórias e curiosidades, a Central do Franqueado preparou este guia completo sobre a história do franchising. Continue lendo e percorra todo o caminho que culminou na consolidação do sistema de franquias no Brasil e no mundo.

Neste artigo você lerá sobre:

A história do franchising no mundo

Existe um certo debate quanto a real origem do modelo de franquias. Enquanto o consenso geral liga o início do modelo à fabricante de máquinas de costura Singer Sewing Machine Company, algumas teorias vão até mais longe. Por exemplo, alguns pesquisadores afirmam que a história do franchising no mundo começou — pasmem — a partir da Igreja Católica

Isto é, por conta da rede mundial de igrejas ser controlada pelo Vaticano e possuir unidades em diferentes regiões do planeta, isso demonstraria os princípios básicos do franchising. Nesse cenário, os franqueados seriam os padres, a paróquia seria a franquia, o manual seria a Bíblia, os royalties seriam o dízimo e o logotipo, a cruz. Curioso parar para pensar sobre essas coincidências, não é mesmo?

Fato é: as franquias não surgiram recentemente. E muito menos no Brasil. Especulações à parte, podemos começar a pensar o franchising a partir da etimologia da própria palavra. Ela vem do francês “franchise”, onde “fran” significa a concessão de um privilégio ou autorização. Bem intuitivo, não? Afinal, trata de um dos conceitos base do acordo como conhecemos atualmente. 

1731, 1870 ou 1850: quando o franchising nasceu?

Todavia, assim como mencionado, muito se discute quanto a data exata do surgimento do franchising, onde datas tão divergentes quanto 1731, 1840 e 1850 são consideradas sob diferentes pontos de vista. 

Em 1731, o inventor norte-americano Benjamin Franklin assinou contrato em parceria com Thomas Whitmarsh para abrir um negócio de impressão em Charlestown, Carolina do Sul. O acordo exigia que, durante seis anos, estivesse sob os cuidados, gerenciamento e direção de ambos.

Já em 1840, a cervejaria alemã Spaten-Franziskaner-Bräu concedeu direitos de venda a várias tabernas locais. Em troca, tinham que pagar pelo direito de usar a marca. Porém, mesmo com a experiência de Franklin e da cervejaria Spaten, a origem mais da história do franchising no mundo moderno teve início nos Estados Unidos, em 1850.

Assim, as franquias, da forma que conhecemos hoje, começaram a partir de uma ideia da fabricante de máquinas de costura Singer Sewing Machine Company. Pensando em aumentar suas vendas, a empresa passou a outorgar licenças de uso da marca e métodos para comerciantes interessados em revender seus produtos em outras regiões do país.

Depois, em 1898, a General Motors seguiu a mesma ideia e iniciou a expansão de seus pontos de venda, criando o conceito de “concessionária de veículos”. No mesmo período, a Coca-Cola também criou a sua primeira franquia de fabricação e disponibilizou licenças para que empresários pudessem produzir e comercializar seus refrigerantes em outros locais.

As primeiras franquias

Dessa forma, podemos detalhar um pouco desse processo de evolução com as primeiras franquias que surgiram. Pois, conforme novas redes apareciam, o modelo ia se consolidando e aprimorando, tornando-o cada vez mais próximo do que conhecemos hoje em dia.

Com isso, voltamos às redes citadas acima para entender características e mudanças que ocorreram ao longo do tempo. Confira abaixo as primeiras franquias e o que cada uma trouxe ao modelo!

I.M. Singer & Co. e a comercialização de máquinas de costura

Como vimos, os Estados Unidos foram pioneiros no franchising. Afinal, a empresa fabricante de máquinas de costura I.M. Singer & Co. utilizou o sistema pela primeira vez na década de 1850.

Curiosidade à parte, Isaac Singer — seu fundador — foi a primeira pessoa do mundo a patentear uma máquina de costura. E não era qualquer equipamento: as máquinas dele podiam costurar 900 pontos por minuto, superando de longe qualquer outra na época e tratando-se de um produto que a maioria das famílias queria.

Na época, operadores e proprietários independentes tinham o direito de comercializar a linha de equipamentos da marca e, assim, desfrutar do prestígio da empresa

Em troca, tinham que pagar uma taxa de licenciamento para a venda e ainda ensinar os consumidores a usarem suas máquinas. Assim, Singer conseguiu expandir a venda dos seus produtos à grande parte do território norte-americano, com investimentos relativamente baixos.

Martha Matilda Harper: a franquia de serviços mais antiga do mundo

Alguns anos depois, em 1891, também nos Estados Unidos, surge a mais antiga das redes de franquias de serviços. Martha Matilda Harper, uma canadense que mudou-se para Rochester, Nova Iorque, abriu seu salão de beleza e, com o grande interesse de outras mulheres pelo negócio, passou a ensinar seus métodos mediante um contrato de franquia

Ao introduzir treinamentos contínuos, essenciais no modelo atual de negócio, as redes aprovadas recebiam o direito de explorar determinada região, tornando-se, assim, franqueadas. Para complementar o acordo, elas precisavam comprar os produtos a serem utilizados no serviço exclusivamente com a Martha, a fim de garantir o padrão de qualidade da marca, outro dos pilares valorizados no franchising de hoje.

Com novas ideias e evoluções das primeiras redes, a rede chegou a ter mais de 500 unidades espalhadas pelos Estados Unidos, Alemanha e Escócia. E, como vimos, desenvolveu vários elementos do sistema de franquia de serviços que vemos hoje.

General Motors e as concessionárias de automóveis

Com a necessidade de expansão dos Estados Unidos após um momento conturbado e marcado pela Guerra Civil Americana, comerciantes de várias localidades do país começaram a adotar o franchising. Entre eles, fabricantes de máquinas agrícolas e de veículos.

Se espelhando no vendedor norte-americano William Metzger — que inaugurou a primeira concessionária de automóveis independente em Detroit, Michigan — a General Motors, por exemplo, adotou o franchising para expandir a rede de revenda de carros em 1898. 

Coca-Cola e as franquias de refrigerantes

Apenas um ano depois, em 1889, a Coca-Cola passou a conceder franquias de engarrafamento e distribuição dos refrigerantes. Um feito que, na época, foi impulsionado pelo alto custo do transporte do produto engarrafado. Assim, os refrigerantes poderiam chegar aos consumidores de forma mais prática do ponto de vista logístico.

A marca enviava xaropes concentrados para os franqueados e solicitava o cumprimento de exigências como seguir fórmulas e processos rigorosos. Com isso, conseguia controlar a qualidade de seus produtos mesmo em mercados distantes e expandir rapidamente com um baixo investimento.

Com o direito de usar a fórmula secreta da Coca-Cola e um nome comercial valioso, franqueados ajudaram a construir um império que, hoje, vale mais de 87 bilhões de dólares. Ou seja, se atualmente o ranking Brandz Global coloca a Coca-Cola entre as marcas mais valiosas do mundo, grande parte desse sucesso está nos benefícios de ter o franchising em seu cerne.

Mercearias, locadoras de veículos, lanchonetes e postos de combustíveis

A partir do século XX, o franchising começa a se disseminar entre os mais diferentes ramos, segmentos e formatos. Em 1917, surgem as primeiras franquias de mercearias, como os supermercados Piggly Wiggly, nos Estados Unidos. Em 1921, a Hertz Rent-a-Car, locadora de veículos, adota o modelo de franquias. 

Quatro anos mais tarde, em 1925, surge a primeira cadeia de franquias destinada à comercialização de lanches e refeições, a A & W Root Beer. E, na década de 1930, o franchising torna-se ainda mais popular e diversas companhias de petróleo começam a franquear postos de combustíveis, antes operados diretamente.

Hoje, o sucesso dessas iniciativas é espelhado em grandes franquias como a 7Eleven e Alamo Rent a Car, marcas que estão presentes em todo o mundo. No Brasil, o sucesso de franquias como AmPm e a Localiza também refletem as possibilidades que surgiram há mais de 100 anos.

O crescimento pós-guerra

Podemos considerar a Segunda Guerra Mundial como um dos marcos para a evolução do franchising. Afinal, houve uma grande explosão do franchising após este período de guerras.

Na época, centenas de soldados americanos retornaram para suas casas, a maioria sem experiência e sem emprego, mas com muita vontade de trabalhar. Foi no sistema de franquias, no entanto, que viram uma alternativa para sobreviver e tornarem-se seus próprios patrões. 

Assim, na década de 1950 começam a surgir algumas das mais famosas redes de franquias que hoje estão espalhadas por todo o mundo, como Burger King, Kentucky Fried Chicken e McDonald’s

Vale lembrar que a marca McDonald’s é a oitava mais valiosa do mundo, com valor de mercado de 154 bilhões de dólares. Será que esse grande marco teria sido possível sem a adoção do franchising? Provavelmente não, pois foi o modelo que permitiu a inserção da marca nos mais diferentes países e mercados.

A história do franchising no Brasil

A partir de 1960, diversas franqueadoras americanas passaram a expandir suas franquias pelo mundo, com essa internacionalização do modelo chegando também ao Brasil. Nesse sentido, é sobre essa parte da história do franchising no mundo que falaremos a seguir. 

No Brasil, as primeiras franquias surgiram na década de 1950, principalmente com escolas de idiomas como Yázigi Internexus e CCAA. Porém, naquela época, o negócio ainda não era tão bem estruturado como é hoje e ainda caminhava a pequenos passos. 

A partir da década de 1970, o modelo de franchising começou a ficar mais organizado e marcas de segmentos diversos começaram a adotá-lo como estratégia de expansão. Exemplos notáveis são Água de Cheiro, Ellus e O Boticário. Mesmo assim, ainda não havia qualquer regulamentação sobre o funcionamento do sistema.

Nessa época, também surgiram os primeiros shoppings centers do país. Com isso, as redes de varejo nas áreas de confecção, acessórios e cosméticos viram a oportunidade de expandir território. Então, começaram a aproveitar as vantagens do franchising para o fortalecimento das estratégias de interiorização no mercado brasileiro. 

O “boom” da década de 80

Com mais redes se juntando ao modelo de franquias, foi durante a década de 1980 que o movimento do franchising realmente ganhou força no Brasil. Em grande parte, graças à fundação da Associação Brasileira de Franchising (ABF) em 1987 em decorrência do grande número de empresas que começaram a adotar esse modelo de negócios. Assim, surge a ABF para organizar a atividade.

Além disso, outro ponto que gerou esse fortalecimento está no ponto de vista legal, com a criação de uma legislação para reger o contrato de franchising e também outras providências legais para o modelo. Também chamada de lei de franquias, a Lei nº 8.955/1994 potencializou ainda mais a adesão do franchising no Brasil. 

Afinal, empreendedores se sentiram mais seguros ao investir em franquias. Assim, na década de 1990, também houve um crescimento considerável no setor. O mesmo foi impulsionado pelo aprimoramento das técnicas de gestão, de repasse de conhecimento e dos primeiros usos da tecnologia para auxiliar na gestão de uma rede.

Nesse período, começaram a se destacar no mundo dos negócios as franquias de serviços, com franqueados cada vez mais exigentes e informados. Hoje, com a chegada da internet e a velocidade da globalização, a profissionalização das pessoas envolvidas com o modelo de franchising também acelerou e o modelo está em crescimento expressivo já há alguns anos.

Quer relembrar os principais registros da história do franchising no Brasil? Veja só este infográfico divulgado pela ABF e Sebrae.

história do franchising no Brasil

 

Cenário atual do franchising no Brasil

Mesmo com a crise econômica — e mais recentemente sanitária, com a pandemia do novo coronavírus —, o modelo de franchising segue em crescimento no Brasil. Segundo dados recentes da ABF, o setor foi capaz de atingir quase 190 bilhões de reais em 2021. Isso se deve, principalmente, à segurança fornecida pelo modelo de negócio, que possibilita um avanço mesmo em meio à crise.

Dessa forma, mesmo com uma notável queda em alguns dos principais setores devido aos efeitos da pandemia, o franchising se mostrou resiliente na busca pelo sucesso. Grande parte disso, graças às muitas estratégias que surgiram como forma de mitigar essa perda e que devem se manter para o período pós-pandemia.

A internacionalização do franchising brasileiro

Outro dado que chama atenção quando olhamos para os números do setor se referem à internacionalização do franchising brasileiro. Segundo dados recentes, as redes brasileiras já estão espalhadas por mais de 100 países.

Em 2017, foram registradas 142 redes brasileiras com atuação no exterior, sendo três os segmentos de franquias que mais investem na internacionalização de suas operações: moda (25,4%), saúde, beleza e bem estar (16,9%) e alimentação (15,5%). E a maioria das marcas estão em operação nos Estados Unidos (46), Paraguai (34) e Portugal (34).

A quarta geração do franchising

Segundo os especialistas, hoje, o franchising vive a sua quarta geração, conhecida como a era do Learning Network (em tradução livre, Rede do Aprendizado Contínuo). Agora, vemos cada vez mais os franqueados envolvidos no futuro das franqueadoras participando ativamente de suas decisões estratégicas.

Em um mundo repleto de novidades, a velocidade e a quantidade de informações que circulam todos os dias são enormes. O mesmo acontece com o repasse de know-how entre franquias e com a evolução da comunicação entre as duas partes.

Com o uso da tecnologia, por exemplo, treinar a equipe, garantir o padrão de qualidade, a padronização de processos e o controle de estoque fica muito mais fácil. 

Por isso, contar com a ajuda de softwares para franquias como o da Central do Franqueado faz toda a diferença. No contexto contemporâneo, é a conexão e comunicação (muitas vezes virtual) entre franqueados e franqueadores que torna o modelo de franchising ainda mais forte.

Gostou saber um pouco mais sobre as origens das franquias? Esperamos que esse conteúdo tenha sido útil e inspirador para você. Afinal, com a história do franchising no mundo e também no Brasil, é possível aprender com a experiência de muitas das maiores marcas do mundo. 

Não esqueça de visitar o nosso portal de franquias para conhecer as melhores oportunidades de investimento que o franchising oferece!

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Carlos Griebler

Redator em Central do Franqueado