O que é Franquia? conheça o modelo de negócio e confira algumas dicas para investir

Franquia é um modelo de negócio que comercializa o direito de uso de uma marca, patente, infraestrutura, know-how e direito de distribuição. A Central do Franqueado preparou este conteúdo para auxiliar você a compreender mais sobre o assunto. Confira!

De uma uma forma simples e resumida, franquia é um modelo de negócio que consiste na concessão do direito de uso fornecida pelo proprietário de uma marca (franqueador) a um investidor (franqueado) para que ele possa replicar em diferentes locais um formato reconhecido e bem sucedido de exploração de mercado.

Este negócio pode ser uma marca, um serviço, um produto ou até mesmo um conceito. As franquias abrangem diversos segmentos de mercado e têm como principal característica a padronização de processos e de produtos.

Um exemplo que você provavelmente já viu, mesmo sem se dar conta, são as lojas de shoppings centers. Percebeu que a maioria delas podem ser encontradas em outros centros comerciais e até mesmo cidades? Pois aí estão as franquias mais uma vez.

Mas afinal de contas,  como elas funcionam? Quais motivos estão fazendo com que o formato se torne cada vez mais presentes no mundo dos negócios?

Preparamos este conteúdo para explicar os principais aspectos sobre esse importante conceito. Desta forma, sendo empreendedor ou não, você poderá entender um pouco mais a respeito do modelo de negócio que está revolucionando as formas de vender produtos e serviços.

Neste conteúdo você vai conferir:

O que é franquia?

Franquia nada mais é do que uma estratégia que comercializa o direito de uso de uma marca, patente, infraestrutura, know-how e direito de distribuição. Trata-se de um arranjo comercial no qual a rede franqueadora concede ao franqueado uma parcela do seu negócio.

O modelo também pode ser classificado como uma espécie de clonagem de negócio. Ele proporciona que o serviço, o conceito e a imagem da marca sejam replicados em diferentes localidades, nas diversas unidades espalhadas pelas regiões de atuação.

Lei de Franquias

No Brasil, o segmento é regulamentado pela Lei de Franquias (nº 8.955/94). O Artigo 2º da legislação define o franchising como:

o sistema pelo qual um franqueador cede ao franqueado o direito de uso de marca ou patente, associado ao direito de distribuição exclusiva ou semi-exclusiva de produtos ou serviços e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta, sem que, no entanto, fique caracterizado vínculo empregatício.”

O principal objetivo do franchising é fornecer aos franqueados oportunidades para obtenção de sucesso de forma rápida e segura. Para o proprietário da marca, ele oferece possibilidades de expansão. Ao permitir a entrega do mesmo serviço em distâncias internacionais, ele proporciona dimensões inimagináveis de crescimento.

Desempenho do franchising no Brasil

Mesmo em meio a toda desconfiança do mercado nos últimos anos, o franchising continua crescendo a todo vapor no Brasil. Só no ano passado, o setor aumentou seu faturamento mais de 7%, atingindo os R$ 174,8 bilhões.

No entanto, engana-se quem acha que 2018 foi um ano atípico para o setor. Ao contrário, devido à segurança fornecida pelo modelo de negócio, os índices estão avançando continuamente, ano após ano, mesmo em meio à crise.

Segmentos

O franchising brasileiro é dividido em onze segmentos. Veja o desempenho de cada um deles em 2018:

SEGMENTO FATURAMENTO 2018* FATURAMENTO 2017* CRESCIMENTO
Alimentação 45,827 42,816 7%
Saúde, Beleza e Bem Estar 31,907 30,021 6,3%
Serviços e Outros Negócios 24,924 22,921 8,7%
Moda 22,931 21,868 4,9%
Hotelaria e Turismo 12,632 11,251 12,3%
Serviços Educacionais 11,400 10,839 5,2%
Casa e Construção 10,020 9,228 8,6%
Serviços Automotivos 5,894 5,756 2,4%
Comunicação, Informática e Eletrônicos 5,485 5,103 7,5%
Entretenimento e Lazer 2,437 2,162 12,7%
Limpeza e Conservação 1,386 1,354 2,4%

Como surgiram as primeiras franquias?

As franquias, da forma que conhecemos hoje, surgiram nos Estados Unidos, por volta do ano de 1850. Tudo começou com uma fabricante de máquinas de costura chamada Singer Sewing Machine Company, sediada na região de New England. Pensando em aumentar suas vendas, a empresa passou a outorgar licenças de uso da marca e métodos para comerciantes interessados em revender seus produtos em outras regiões do país.

Alguns anos depois, em 1898, a General Motors seguiu a mesma ideia e iniciou a expansão de seus pontos de venda, criando o conceito de “concessionária de veículos”. No mesmo período,  a Coca-Cola criou a sua primeira franquia de fabricação. Disponibilizou algumas licenças para que empresários pudessem produzir e comercializar seus refrigerantes em outros locais e passou ela também a operar no franchising.

Início do franchising no Brasil

No Brasil, a primeira franquia surgiu em, em 1954, na cidade de São Paulo, com a escola de idiomas Yázigi Internexus. Tem interesse em saber mais sobre como foi a expansão da marca e conhecer outras empresas que também optaram pelo sistema de franquias? Então acesse o nosso conteúdo sobre a história do franchising.

Interessante, não? Desde sempre o franchising se mostrou versátil e abrangente. Se você oferece um produto de qualidade, independente do que ele seja, você já tem potencial para divulgá-lo nos quatro cantos do planeta.

Como funciona o modelo de franquias?

O franchising funciona à base de uma relação de interdependência entre a marca e o investidor. As unidade da rede são gerenciadas pelos franqueados. Eles representam a parte que investe e trabalha nas lojas.

Em decorrência do uso da imagem da marca e da utilização do know-how do negócio, é comum a cobrança de royalties por parte da rede. A taxa é calculada levando com base o faturamento bruto da unidade e costuma ser cobrada mensalmente.

Uma das características do franchising é a limitação da autonomia das unidades, uma vez que elas devem obedecer a uma série de normas e padrões instituídos pela marca.

A rede franqueadora, por sua vez, é responsável por fornecer suporte aos franqueados. As informações transmitidas estão relacionadas aos mais diversos âmbitos do negócio e abrangem desde as tarefas operacionais relacionadas à produção, podendo ir até às questões relacionadas à gestão administrativa, contábil e financeira.

A transmissão de conhecimento pode ocorrer por meio da disponibilização de manuais, treinamentos EAD ou presenciais. O objetivo é preparar o empreendedor para que ele conheça profundamente a marca, sua estrutura, seu modelo de negócio e para que tenha o know-how necessário para levar o negócio adiante.

Benefícios de ter uma franquia

Lembra que falamos lá em cima que o franchising é uma relação ganha-ganha? Para que fique claro para você o motivo, confira quais são os benefícios de ter uma franquia.

Para o franqueado:

  • Oportunidade abrir negócio sem precisar ter experiência no setor escolhido;
  • Começar um modelo de negócio já experimentado e com marca prestigiada possibilita um início com menos riscos;
  • Troca de experiências constante entre parceiros;
  • Acesso a métodos profissionais de gestão e operação;
  • Marketing cooperado com a rede;
  • Suporte técnico, administrativo e de gestão da rede franqueadora;
  • Indicação de fornecedores e equipamentos;
  • Pode se concentrar mais na gestão do negócio.

Para o franqueador:

  • No outro lado, o franqueador também ganha com a expansão rápida aliada à menores investimentos.
  • Os relacionamentos locais dos franqueados fortalecem cada vez a marca.
  • Descentraliza as gestões.
  • Potencializa a eficiência da operação.
  • Pode ser concentrar na produção e no desenvolvimento de novos produtos e serviços.

Formatos de franquias

Um dos maiores diferenciais do franchising é sua possibilidade de expansão em diversos formatos. As oportunidades de inserção de unidades sempre mudam de acordo com os mercados-alvo previstos no plano de expansão. Por isso, determinados padrões acabam sendo mais adequados do que outros.

Lojas físicas

Muita gente acredita que, com o crescimento do e-commerce – consequência do desenvolvimento de apps de marcas – as vendas online de produtos estariam superando as convencionais,  e que, por isso, não valeria a pena investir no modelo.

No entanto, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), as lojas convencionais continuam sendo o principal formato utilizado pelos consumidores na hora de efetuar suas compras.

No franchising, cerca de 70% das vendas ocorrem presencialmente. Só para se ter uma ideia, cerca de 88% das unidades brasileiras de franquia funcionam dessa forma.

Então, não deixe de considerar o método tradicional como uma opção. Afinal de contas, ele continua sendo uma forma eficiente de impactar novos públicos.

Vantagens

As lojas são formatos muito flexíveis e contemplam os serviços da maioria dos segmentos de franchising. Seu grande diferencial diz respeito à oferta de serviços e produtos. As vitrines, por exemplo, são eficazes na atração de clientes e no estabelecimento de uma identidade visual da marca. A experiência de marca para o consumidor é otimizada e os clientes podem se sentir mais engajados com a empresa.

Desvantagens

Os investimentos envolvendo a instalação e o funcionamento de uma loja são bastante expressivos. Eles envolvem a manutenção do local, eventuais reformas, pagamento de aluguel e demais gastos com a padronização da unidade. Além disso, encontrar um bom ponto comercial pode demandar bastante trabalho.

Por estes motivos, as lojas físicas, principalmente aquelas que possuem grandes estruturas, podem não ser atraentes para investidores iniciantes. Sem falar que o fracasso de unidades nesse formato traz mais prejuízo, tanto para o franqueado, quanto para a rede.

Quiosques

Os quiosques são espaços menores normalmente montados em meio a locais com grande circulação de pessoas. No entanto, engana-se quem acha que eles se restringem às microfranquias. Afinal de contas, muitas marcas grandes apostam na estratégia. Exemplos é o McDonalds, com os sorvetes, e a Chill Beans, com os óculos.

Os quiosques são ótimas opções de expansão para marcas que pretendem expandir suas unidades para cidades pequenas. Para investidores, o ponto positivo se dá pelo fato de a opção ser financeiramente mais viável.

Vantagens

Além de terem menor custo de aluguel, manutenção, reformas e instalação, os quiosques dão menos dor de cabeça ao gerente. Menos funcionários precisam ser contratados, menos questões precisam ser resolvidas e a gestão se torna muito mais fácil para empreendedores que são iniciantes.

Desvantagens

Encontrar lugares apropriados para a instalação dos quiosques não é uma tarefa exatamente fácil. O formatoo é bastante específico e só funciona em locais de grande circulação. É por isso que, normalmente, eles são encontrados em shoppings.

Seu espaço também é bastante restrito e não combina com muitos segmentos. A área que pode ser utilizada para a produção é pequena e não possibilita que determinadas experiências sejam oferecidas ao consumidor.

Food Trucks

Os food trucks (caminhão de comida) passaram a ser adotados por diversos empreendedores do ramo da alimentação. A estrutura é bem mais barata que uma loja física, mais fáceis de instalar e tem o diferencial de poder ser deslocada onde o público se encontra.

Trata-se de um formato ideal para redes que procuram uma expansão rápida e também para os empreendedores que buscam oportunidades de investimento mais em conta.

Vantagens

Como comentamos no início do texto, a principal vantagem do formato está relacionada à sua possibilidade de fácil replicação e expansão. Isso, devido a três principais fatores:

  1. Baixos custos de instalação, principalmente com unidades formatadas em trailers e vans, de redes de franquias com fácil produção de produtos;
  2. Exposição das lojas ao consumidor, em eventos fechados ou espaços públicos, a partir da contratação de organizadores de eventos ou da permissão da prefeitura dos municípios;
  3. Mobilidade da unidade, pois afinal, ela é um veículo que pode se locomover a qualquer local.

Desvantagens

Em determinados casos, manter um food truck pode acabar saindo mais caro do que manter uma loja convencional. Os custos de manutenção nesse formato envolvem dois aspectos: os valores da estrutura e, principalmente, a manutenção do veículo.

Se os custos de manutenção de um carro são consideravelmente altos, imagine os de um caminhão. Carregar carga e locomover a unidade com frequência certamente demandará ajustes ao veículo. O empreendedor deve estar preparado para abrir o bolso, a fim de mantê-lo funcionando adequadamente. Caso contrário, a funcionalidade da loja pode ser prejudicada.

Containers

Os containers são opções de espaços comerciais que demandam custos menores de instalação e manutenção. Você provavelmente já viu restaurantes funcionando dessa forma em rodovias, shoppings centers e até mesmo em grandes centros. Isso porque dentro do segmento de alimentação, os containers atendem à necessidade de infraestrutura e oferecem a praticidade que o cliente precisa.

Vantagens

O principal atrativo das franquias em container é o baixo valor de investimento. Os custos de instalação, manutenção e as taxas de franquia também são menores do que se comparados às unidades completas.

Outra vantagem é que, por fugirem à regra, funcionam como um grande chamariz para investidores, principalmente em tempos de instabilidade econômica. Além disso, algo que faz a diferença nos containers é sua praticidade, não apenas de instalação, mas também de funcionamento.

Dessa forma, o formato é uma opção com ótima relação custo benefício, especialmente para aqueles empreendedores que estão recém embarcando no universo das franquias.

Desvantagens

Embora as franquias em container pareçam ter mais vantagens do que desvantagens, elas também possuem suas fraquezas. A primeira delas diz respeito ao limite de espaço.

Como são pequenos, os containers filtram a possibilidade de adaptação de algumas empresas para o formato. Não é toda rede de franquias que consegue operar no tamanho que ele oferece. Isso porque, em poucos metros quadrados nem sempre há espaço suficiente para a produção e para o estoque de produtos.

Uma consequência do pequeno limite de espaço é a padronização rígida das unidades de containers. Nessas lojas, não existe a possibilidade de grandes especificidades em cada ponto, justamente porque os espaços são semelhantes em todas as localidades.

Home-based

Dizer que ter uma unidade de franquia nunca foi tão fácil é uma afirmação cada vez mais certeira. Hoje em dia, muitos franqueados gerenciam suas unidades de dentro de suas próprias casas.

As franquias home-based (em português, “franquia doméstica”) também demandam um contrato, investimento em materiais específicos da rede e o alinhamento dos serviços. Entretanto, os negócios que se encaixam nesse perfil, muitas vezes necessitam de uma simples sala para funcionar. Ela pode ficar na própria residência do operador.

Normalmente, as franquias home based são franquias de entrega de serviços. O formato não tem limitações para a expansão da rede. É claro: para que o formato funcione, é preciso muita disciplina por parte do franqueado.

Vantagens

Não existe a preocupação com o aluguel de imóveis. A contratação de funcionários é bastante reduzida, podendo ser até nula.Além disso, os investimentos para a instalação de unidades home-based são os mais baixos do franchising. Muitas vezes não, chegam a nem a 10 mil reais.

Desvantagens

Funcionar em home-based não é para qualquer segmento do franchising. Se enquadram em franquias domésticas apenas uma quantidade limitada de redes. Normalmente elas oferecem serviços que são entregues na casa dos consumidores: faxinas, serviços de manicure e cursos EAD. Para que tudo fique nos conformes, deve haver controle por parte da franqueadora e bastante disciplina por parte do franqueado.

Principais taxas do franchising

Taxa de Franquia

A Taxa de Franquia é uma cobrança paga pelo franqueado logo após a assinatura do contrato de adesão. Trata-se de um valor fixo e único, que corresponde à concessão para o uso da marca. O encargo faz parte do investimento inicial para abertura da unidade. Assim como todas as outras eventuais cobranças, deve estar devidamente discriminada na Circular de Oferta de Franquia (COF).

A principal função da Taxa de Franquia é ajudar a custear os gastos que a rede teve no processo de prospecção e seleção do candidato. O valor também auxilia a cobrir as despesas com treinamento, suporte e implantação da nova unidade, valores estes que variam de acordo com a natureza do segmento. Existem redes que cobram a taxa a cada renovação do contrato de franquia.

Royalties

Os Royalties são o pagamento periódico realizado pelos franqueados às suas respectivas redes franqueadoras. Ao contrário da taxa de franquia, que é paga uma única vez, os royalties são pagos regularmente em razão da contínua exploração da marca e do suporte recebido. Eles são definidos pela Lei de Franquias como uma “remuneração periódica pelo uso do sistema, da marca ou em troca dos serviços efetivamente prestados”.

Importante destacar que a legislação não estabelece quais tipos de royalties podem ser cobrados. Ou seja, não são impostas restrições em relação à forma como eles serão recebidos do franqueado, tampouco aos seus critérios de apuração, base de cálculo, etc. O que a legislação deixa claro é a necessidade de que eles sejam discriminados na COF, pela franqueadora, caso ela opte pela cobrança.

Fundo de Propaganda/Fundo de Marketing

O Fundo de Propaganda (também conhecido como Fundo de Marketing) corresponde a um valor arrecadado mensalmente dos franqueados para investir em ações institucionais que promovam a marca, seus produtos e conceitos de modo geral.

Em outras palavras, é o valor utilizado pela marca para pôr em práticas as estratégias publicitárias e de marketing. A divulgação é voltada para a rede como um todo, e não para as unidades especificamente. O valor arrecadado costuma variar entre 2% e 5% do faturamento bruto de cada unidade. A marca também pode optar por estabelecer um valor fixo mensal.

O Fundo de Marketing está previsto no artigo 3º, inciso VIII,  alínea “c” da Lei de Franquias. Assim como os demais encargos, a legislação não estabelece os limites de cobrança do respectivo fundo. A única coisa que ela estabelece é que o franqueador discrimine é que será efetivamente cobrado.

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