A história do franchising no Brasil e no mundo

Concorda que marcas que inovam e se reinventam podem ir mais longe? A história do franchising no mundo pode comprovar essa teoria. Muitas das empresas que investiram em expansão lá atrás estão, hoje, entre as mais valiosas a nível global.

E o mesmo acontece no Brasil. Por aqui, o faturamento total do setor em 2018 foi de R$ 174,8 bilhões. Um crescimento de 7,1% em comparação com 2017. Os dados, divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), mostram que o setor segue em crescimento contínuo.

Tem curiosidade em conhecer as origens dessa história de sucesso, também conhecida como o maior modelo de negócios já inventado? Neste artigo, você vai entender quais foram os primeiros registros da história do franchising no mundo e também no Brasil.

O que você vai conferir:

A história do franchising no mundo

Alguns pesquisadores dizem que a história do franchising no mundo começou com a Igreja Católica. Isso porque a rede mundial de igrejas é controlada pelo Vaticano e possui unidades em diferentes regiões do planeta.

Seguindo essa mesma lógica: os franqueados seriam os padres, a paróquia seria a franquia, o manual seria a Bíblia, o royalty seria o dízimo e o logotipo a cruz. Curioso parar para pensar sobre essas coincidências, não é mesmo?

Especulações à parte, a palavra franchising vem do francês “franchise” onde “fran” significa concessão de um privilégio ou autorização.

Por isso, na Idade Média, eram chamadas de “cidades francas” aquelas que ofereciam regalias em troca de serventia. Os reis e donos de terras davam cartas de franquia às pessoas em troca de um certo valor financeiro. Assim, permitiam que pudessem circular e comercializar produtos ou serviços na região. Essa é a origem do pagamento de royalties.

Já as situações mais próximas do atual sistema de franchising datam de 1731, 1840 e 1850.

Em 1731, o inventor norte-americano Benjamin Franklin assinou contrato em parceria com Thomas Whitmarsh para abrir um negócio de impressão em Charlestown, Carolina do Sul. O acordo exigia que, durante seis anos, estivesse sob os cuidados, gerenciamento e direção de ambos.

Em 1840, a cervejaria alemã Spaten-Franziskaner-Bräu concedeu direitos de venda a várias tabernas locais. Mas, em troca, tinham que pagar pelo direito de usar o nome comercial (marca).

Mesmo com a experiência de Franklin e da cervejaria Spaten, a origem mais respeitada da história do franchising no mundo teve início nos Estados Unidos, em 1850.

I.M. Singer & Co. e a comercialização de máquinas de costura

O país norte-americano foi um dos pioneiros na aplicação do modelo franchising. A empresa fabricante de máquinas de costura, I.M. Singer & Co., utilizou o sistema pela primeira vez na década de 1850.

Curiosidade à parte, seu fundador, Isaac Singer, foi a primeira pessoa do mundo a patentear uma máquina de costura. E não era qualquer equipamento: as máquinas dele podiam costurar 900 pontos por minuto, superando de longe qualquer outra na época. Um produto que a maioria das famílias queria.

Na época, operadores e proprietários independentes tiveram o direito de comercializar a linha de equipamentos da marca e, assim, desfrutar do prestígio da empresa. Em troca, tinham que pagar uma taxa de licenciamento para a venda e ainda ensinar os consumidores a usarem suas máquinas. A Singer conseguiu expandir a venda dos seus produtos à grande parte do território norte-americano, com investimentos relativamente baixos.

Harper Cabeleireiro: a franquia de serviços mais antiga do mundo

Em 1891, também nos Estados Unidos, surge a Harper Cabeleireiro: a mais antiga rede de franquias de serviços. A rede era comandada por Martha Matilda Harper, uma canadense que mudou-se para Rochester, Nova Iorque, em 1882.

Martha abriu seu salão de beleza e, com o grande interesse de outras mulheres pelo negócio, passou a ensinar seus métodos mediante um contrato de franchising. Por meio de treinamentos contínuos, as aprovadas ganhavam o direito de explorar determinada região. Tornavam-se, então, franqueadas. Mas, para isso, precisavam comprar os produtos a serem utilizados no serviço exclusivamente com a Martha.

Em 1920, a rede chegou a ter mais de 500 unidades espalhadas pelos Estados Unidos, Alemanha e Escócia. E desenvolveu vários elementos do sistema de franquia de serviços que vemos hoje. Uma história que também apresenta um verdadeiro case de branding.

General Motors e as concessionárias de automóveis

Com a necessidade de expansão dos Estados Unidos após a Guerra Civil, comerciantes de várias localidades do país começaram a adotar o franchising. Fabricantes de máquinas agrícolas e de veículos também passaram a usar o modelo de negócio.

Em 1896, o vendedor norte-americano William Metzger, abriu a primeira concessionária de automóveis independente em Detroit, Michigan. Curioso saber que uma de suas vendas, na época, foi de um carro elétrico chamado Waverly por cerca de mil dólares. Uma tendência que voltou a agitar o mercado automobilístico.

Aproveitando a mesma oportunidade para distribuir os automóveis produzidos, em 1898, a General Motors adotou o franchising para expandir a rede de revenda de carros.

Coca-Cola e as franquias de engarrafamento e distribuição de refrigerantes

Um ano depois, em 1889, a Coca-Cola passou a conceder franquias de engarrafamento e distribuição dos refrigerantes. Um feito que, na época, foi impulsionado pelo alto custo do transporte do produto engarrafado.

A marca enviava xaropes concentrados para os franqueados e solicitava o cumprimento de exigências como seguir fórmulas e processos rigorosos. Com isso, conseguia controlar a qualidade de seus produtos mesmo em mercados distantes. E, também, expandir mais rapidamente e com um investimento muito menor.

Os franqueados ganhavam o direito de usar a fórmula secreta da Coca-Cola e um nome comercial valioso. Hoje, a Coca-Cola vale mais de 79,9 bilhões de dólares: a 14ª marca mais valiosa do mundo segundo o ranking Brandz Global.

Sem a utilização deste modelo, a marca dificilmente teria conseguido ir tão longe no mundo dos negócios.

Mercearias, locadoras de veículos, lanchonetes e postos de combustíveis

A partir da década de 1900, o sistema de franchising começa a se disseminar entre outros fabricantes de automóveis e refrigerantes.

Em 1917, surgem as primeiras franquias de mercearias, como os supermercados Piggly Wiggly, nos Estados Unidos. Em 1921, a Hertz Rent-a-Car, locadora de veículos, adota o modelo de franquias.

Quatro anos mais tarde, em 1925, surge a primeira cadeia de franquias destinada à comercialização de lanches e refeições, a A & W Root Beer.

E, na década de 1930, o franchising torna-se ainda mais popular e diversas companhias de petróleo começam a franquear postos de combustíveis, antes operados diretamente.

Boom: a explosão do franchising após a 2ª Guerra Mundial

A grande explosão do franchising se deu após a Segunda Guerra Mundial. Na época, centenas de soldados americanos retornaram para suas casas, a maioria sem experiência e sem emprego, mas com muita vontade de trabalhar.

Foi no sistema de franquias, no entanto, que viram uma alternativa para sobreviver e tornarem-se seus próprios patrões.

Assim, na década de 1950 surgem algumas das mais famosas redes de franquias, como Burger King, Dunkin’ Donuts, KFC (Kentucky Friend Chickem) e McDonald’s.

Vale lembrar que, entre elas, a marca McDonald’s é a oitava mais valiosa do mundo, com valor de mercado de 126 bilhões de dólares. Será que esse grande marco teria sido possível sem a adoção do franchising? Vale a reflexão.

A partir de 1960, diversas franqueadoras americanas passaram a expandir suas franquias pelo mundo, chegando, inclusive, ao Brasil. É sobre essa parte da história do franchising no mundo que falaremos a seguir. Continue a leitura para ficar por dentro!

A história do franchising no Brasil

Na mesma década em que começou a avançar pelo mundo, o franchising também desembarcou em território brasileiro.

Começou a ser usado, por aqui, com o surgimento das escolas de idiomas Yázigi e CCAA. Naquela época, o negócio ainda não era tão bem estruturado como é hoje, e se baseava muito mais na transferência de know-how através do material didático.

Na década de 1970, o modelo de franchising ficou mais organizado e marcas de segmentos diversos começaram a adotá-lo como estratégia de expansão. Alguns exemplos notáveis? Água de Cheiro, Ellus e O Boticário.

No mesmo período começaram a chegar ao Brasil algumas marcas norte-americanas como McDonald’s, seguindo a estratégia de internacionalização.

Também foi nessa época que surgiram os primeiros shoppings no país. Com isso, as redes de varejo nas áreas de confecção, acessórios e cosméticos viram a oportunidade de expandir território. Então, começaram a aproveitar as vantagens do franchising para o fortalecimento da estratégias de interiorização no mercado brasileiro.

Boom: a explosão das franquias no Brasil, em 1980

Entretanto, foi na década de 1980 que o movimento do franchising realmente ganhou força no Brasil. Um grande número de empresas começou a adotar esse modelo de negócios.

Então, para organizar a atividade foi criada, em 1987, a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Com isso, o setor pôde amadurecer e ganhar, mais tarde, uma própria legislação para reger o contrato de franchising e dar outras providências: a Lei nº 8.955/1994.

Com a aprovação dela, o franchising teve uma adesão ainda maior no Brasil. A partir dessa regulamentação, os empreendedores se sentiram mais seguros para investir nesse modelo de negócio.

Assim, na década de 1990, houve um crescimento considerável no setor. O mesmo foi impulsionado pelo aprimoramento das técnicas de gestão, de repasse de conhecimento e de organização do franchising.

Nesse período, começaram a se destacar no mundo dos negócios as franquias de serviços, com franqueados cada vez mais exigentes e informados. E, com a chegada da internet e a velocidade da globalização, a profissionalização das pessoas envolvidas com o modelo de franchising também acelerou.

Quer relembrar os principais registros da história do franchising no Brasil? Veja só este infográfico divulgado pela ABF e Sebrae.

Como anda o franchising brasileiro hoje

Desde o começo da década de 2000 o modelo de franchising segue em crescimento contínuo no Brasil.

Segundo dados da ABF, o faturamento do setor de franquias foi 8% maior em 2017 em relação ao ano anterior. Se em 2016 o desempenho do franchising brasileiro registrou faturamento de R$ 151,247 bilhões, no ano seguinte bateu R$ 163,319 bilhões.

No mesmo intervalo de tempo, também cresceu o número de unidades (+2%) e de empregos (+1%). Ou seja, o franchising brasileiro ainda está em momento de expansão e crescimento. Os números mostram que ainda existirão muitos capítulos de sucesso para serem escritos na história do setor.

A internacionalização do franchising brasileiro

Outro dado que chama atenção quando olhamos para os números do setor se referem à internacionalização do franchising brasileiro. As redes brasileiras já estão espalhadas por mais de 100 países.

Em 2017 foram registradas 142 redes brasileiras com atuação no exterior. Em 2016, apenas 138 delas já estavam por lá.

Os três segmentos de franquias que mais investem na internacionalização de suas operações são: moda (25,4%), saúde, beleza e bem estar (16,9%) e alimentação (15,5%). E a maioria das marcas estão em operação nos Estados Unidos (46), Paraguai (34) e Portugal (34), ora pois!

A quarta geração do franchising

Segundo os especialistas, hoje, o franchising vive a sua quarta geração, conhecida como a Era do Learning Network (em tradução livre, Rede do Aprendizado Contínuo).

Agora, vemos cada vez mais os franqueados envolvidos no futuro das redes franqueadoras e participando ativamente de suas decisões estratégicas.

Em um mundo repleto de novidades, a velocidade e a quantidade de informações que circulam todos os dias são enormes. O mesmo acontece com o repasse de know-how entre franquias e com a evolução da comunicação entre as duas partes.

Com o uso da tecnologia, por exemplo, treinar a equipe, garantir o padrão de qualidade, a padronização de processos e controle de estoque fica muito mais fácil. Por isso, contar com a ajuda de plataformas como a Central do Franqueado faz toda a diferença.

No contexto contemporâneo, é a rede (muitas vezes virtual) entre franqueados e franqueadores que vem tornando o modelo de franchising ainda mais forte.

Curtiu saber um pouco mais sobre as origens das franquias? Esperamos que esse conteúdo tenha sido útil e inspirador para você.

Com a história do franchising no mundo e também no Brasil é possível aprender com a experiência de muitas das maiores marcas do mundo. Não deixe de acompanhar os conteúdos do nosso blog para continuar aprendendo sobre o assunto!

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