Desligamento de franqueados: como evitar?

Em toda empresa, o eventual perda de funcionários é inevitável. Os motivos para que isso venha a acontecer são muitos. Em redes de franquias, o desligamento de franqueados, fundamentais para a manutenção da rede, é algo mais comum do que pensamos.

Como os franqueadores podem evitar esse destino? O que fazer para que ambos saiam menos prejudicados caso ocorra o desligamento de franqueados? Confira o nosso conteúdo e descubra algumas dicas.

Neste conteúdo você vai conferir os seguintes tópicos:

Redes de franquias, por mais bem organizadas que sejam, são estruturas complexas e não muito fáceis de gerenciar. Afinal de contas, para que uma rede tenha estabilidade no mercado, é preciso que todas as suas unidades tenham sucesso.

A cada unidade que fracassa, a concorrência dá um passo. Gerir uma rede de franquias depende tanto das habilidades do franqueador quanto dos franqueados. O sucesso de uma rede depende da atuação de diversas pessoas. Mesmo trabalhando separadamente, elas devem encontrar, juntamente, uma sinergia. Desta forma, poderão levar a empresa para o melhor caminho.

Quando não há sinergia, os problemas aparecem. O fracasso das unidades resulta em algo inevitável: o desligamento de franqueados. Não existe perda maior para uma rede do que isso – a presença da empresa na localidade na qual a loja estava instalada fica temporariamente parada. Isso significa menos lucro para a rede e mais oportunidades para a concorrência consolidar a fidelização do público consumidor.

Mas o que, afinal, são empecilhos para que não haja tal sinergia entre franqueador e franqueado? Treinamentos fracos e um suporte falho são dois grandes motivos. Mas há mais além disso.

Existem maneiras de evitar o desligamento de franqueados. E claro, existem formas para proceder da melhor forma depois da perda. Até porque não é apenas a rede que sai prejudicada, mas também o franqueado que investiu para abrir a unidade.

Preparamos este guia para você – franqueador ou franqueado – saiba o que fazer em meio a esta possibilidade desagradável.

Quais são os principais motivos que resultam no desligamento de franqueados?

Podemos dividir em três os motivos mais significativos que podem levar uma unidade de franquia ao fracasso, fazendo com que a rede perca franqueados. São eles:

1) Treinamentos mal planejados

Gerenciar uma rede de franquias é um desafio para qualquer empreendedor. É normal que tanto franqueadores inexperientes quanto os experientes se sintam apreensivos em relação ao futuro do negócio.

Qualquer erro em alguma das unidades pode prejudicar a reputação da rede e, consequentemente, suas finanças. É por isso que os operadores passam pelo programa de capacitação. Para manter o padrão de qualidade da franquia, eles precisam ser capazes de gerir suas lojas de forma segura e qualificada.

2)   Suportes falhos por parte da rede

Mais do que um diferencial, é um dever contratual do franqueador prestar suporte ao franqueado toda vez que ele precisar. Nem o melhor programa de treinamento pode garantir uma gestão 100% segura e tranquila em uma unidade. Afinal de contas, ela está sujeita a diversos problemas, como falhas nas máquinas, conflitos com funcionários e incomodações com clientes.

Nos momentos de crise, entra a importância de um suporte prestativo, eficiente e disponível. A não entrega desses serviços pode acarretar o fracasso da unidade de franquia e prejuízos para a marca. É importante ressaltar que, nestas situações, além de se desligar da rede, o franqueado poderá processá-la por não cumprir as cláusulas contratuais relacionadas à prestação de suporte. Aliás, este é o maior motivo de processos envolvendo franquias no Brasil.

3)   Motivos contratuais

O suporte falho vai além de uma questão de falta de parceria entre franqueador e franqueado. A situação é também a demonstração da não prestação do que consta no contrato de franquia.

Todo e qualquer fator contratual que não é cumprido pelo franqueador é motivo para que o franqueado se desligue da empresa e coloque a rede na justiça. Afinal de contas, o franqueado é um trabalhador que também tem direitos. E todos eles devem ser respeitados. Exigir mais trabalho do que está estabelecido no contrato é exploração – e todo gestor pode contestar isso judicialmente caso isso aconteça.

O que pode ser feito para evitar o desligamento de franqueados?

Levando em conta os três motivos que levam à consequência da perda de franqueados em redes de franquias, podemos encontrar soluções claras. Elas podem ser aplicadas de acordo com as necessidades e políticas de cada empresa. São elas:

1)   Em relação ao treinamento

Ter à disposição bons profissionais para a qualificação de franqueados é obviamente algo necessário para a empresa. No entanto, de nada adianta possuí-los mas ter dificuldade em aplicar as aulas. Afinal, tratando-se de redes de franquias, estamos falando muitas vezes de empresas que funcionam em diversos estados.

Custear os valores de locomoção dos futuros franqueados – ou dos profissionais – para a realização de aulas presenciais pode pesar no bolso da empresa e ser bastante inconveniente em relação a horários e acessibilidade. E é justamente por isso que muitas empresas acabam pecando na organização e oferta de aulas.

Nesses casos, é fundamental preparar um programa de treinamento que possa ser aplicado de forma gradual, com a aplicação de todos os conteúdos relevantes para a gestão de unidades de franquia. Uma solução básica e eficiente são os treinamentos EAD – de Ensino à Distância. As aulas podem ser acessadas a qualquer lugar, qualquer momento e repetidamente, tudo pela Internet. A consulta online pode ser feita, inclusive, após o período de treinamento.

2)   Em relação ao suporte

Vale considerar que uma plataforma EAD também pode funcionar como suporte para a consulta do franqueado em momentos de dúvida. Entretanto, existem coisas que só compartilhadas com a experiência do franqueador para serem resolvidas.

Suportes falhos normalmente têm origem na falta de comunicação e de vínculo entre franqueador e franqueado. E não estamos falando apenas sobre o protocolo da empresa, estritamente burocrático, mas também em relação à parceria entre as partes.

Os laços profissionais entre franqueador e franqueado devem ser estimulados de forma contínua desde às entrevistas iniciais. Dessa forma, o investidor, além de estar constantemente aprendendo, passa a ter o franqueador como referência de gestão.

Claro, não é o vínculo que vai garantir um suporte de qualidade, mas com certeza proporciona mais proximidade. Uma forma de manter uma comunicação ágil do franqueador para todos os franqueados das unidades é através de sistemas de comunicação. A própria Central do Franqueado oferece um módulo de comunicação que serve para agendar entrevistas e trocar informações pertinentes sobre o dia-a-dia da empresa.

Importante é não esquecer, também, do papel do consultor de campo na rede de franquias. Ele pode ser útil para a análise da rotina das franquias e observação de seus maiores problemas.

3)   Em relação ao contrato

O contrato é um documento legal. Ele deve ser respeitado por ambas as partes. Portanto, é fundamental que franqueador e franqueado tenham feito a escolha certa no momento de elaboração e assinatura do contrato. Desistir dele não é proibido, mas é algo prejudicial para o bolso de todos.

Para prosseguir com as negociações, o franqueador precisa estar convicto em relação ao perfil do futuro franqueado. Ele é o ideal para o segmento de mercado da rede? O franqueado, por sua vez, deve ter clareza a respeito de todas as informações do contrato, tirando todas as dúvidas com o franqueador antes do momento da assinatura. Obviamente, ele precisa estar atento a todas as cláusulas.

Dessa forma, a decisão será firme dos dois lados. Não é previsível saber se haverá quebra de contrato. No entanto, agindo assim, é possível evitar a perda de dinheiro tanto para o investidor quanto para a empresa.

O que o franqueado pode fazer para ajudar?

Evitar o desligamento de franqueados não é apenas papel da empresa. O franqueado que busca mais conhecimento, estudando o mercado e conhecendo profissionais da área, terá mais visão e qualificação para superar dificuldades em meio à gestão.

Além disso, parte do vínculo com o franqueador também deve ser estabelecido a partir da sua iniciativa. A parceria com consultorias de contabilidade e consultorias jurídicas também pode ser muito útil para a gestão financeira da unidade, bem como para o gestor estar a par de todas as questões legais que envolvem o funcionamento de uma loja de franquia.

Consequências do desligamento de franqueados para a rede

Quando ocorre o desligamento de franqueados, inevitavelmente, a rede é prejudicada. Se a saída acontecer de forma abrupta, a unidade terá grandes riscos de ser encerrada. Se houver aviso prévio, ainda há chance para o franqueador encontrar um novo profissional para assumir a unidade. Porém, ambos os casos resultarão em mais gastos para a rede.

Fechar uma loja sempre pesa na lucratividade da empresa. Em relação ao mercado, isso acaba sendo mais uma oportunidade para concorrentes conquistarem novos espaços. Buscar um novo franqueado é realizar novos investimentos em treinamento e, também, começar do zero o processo de conhecimento e desenvolvimento de um relacionamento de confiança.

Em relação a quem deverá assumir as dívidas provenientes do fechamento do negócio, toda a situação deve ser considerada. De qualquer forma, o contrato de franquias no Brasil é estabelecido através da independência jurídica entre franqueador e franqueado.

Por isso, na maioria das situações, o franqueador não terá a responsabilidade de quitar dívidas provenientes da gestão do franqueado que está se desligando, sendo essa uma responsabilidade do operador.

Em todos os casos, é fundamental a presença do suporte jurídico no processo de desligamento de franqueados. Desta forma, é possível encontrar as melhores soluções para as partes.

As consequências do desligamento para o próprio franqueado

Provavelmente, a parte mais prejudicada com o desligamento de uma rede é o próprio franqueado. Afinal de contas, foi ele que reuniu os valores necessários para a inauguração da unidade. O investimento reunido não é coisa pouca. Em muitos casos, passa das centenas de milhares de reais.

Para que haja retorno lucrativo para o empreendedor é necessário tempo. Por isso mesmo que a escolha de empreender em uma rede de franquias deve ser detalhadamente estudada. Até porque, além do capital que foi investido na abertura da unidade, devemos considerar as possíveis dívidas que serão de responsabilidade do franqueado.

Sim, o contrato de franquia, em sua independência jurídica, determina que as dívidas provenientes da gestão do franqueado serão de sua responsabilidade. A desistência da franquia em meio ao contrato implica no pagamento de multa rescisória, por exemplo. A não ser que, comprovadamente, o franqueador não tenha cumprido com partes do contrato.

Portanto, se o desligamento for resultado da falta de suporte ou de outras questões pelas quais o franqueado se sentiu prejudicado, é essencial recorrer judicialmente. Com provas, a situação será julgada. Porém, não pense que o processo não vai tomar tempo.

Como proceder após o desligamento de franqueados?

Quebrado o vínculo, estarão a rede e o franqueado em busca da melhor solução para que os prejuízos sejam mínimos. Como já mencionamos, para o franqueador, o ideal seria encontrar um substituto. Caso o investidor anterior tenha desistido do negócio devido ao seu fracasso de vendas e pouco retorno lucrativo, talvez a melhor alternativa seja, de fato, o encerramento da unidade.

O que o franqueado poderá fazer, até considerando possíveis dívidas a serem pagas, é encontrar um empreendedor interessado em assumir o negócio. Dessa forma, caberá ao franqueado vender a unidade ao investidor – o chamado repasse de franquia.

Importante

O repasse só é permitido com o consentimento do franqueador, o qual deve estar a par dos possíveis candidatos. O processo de transição deve ser o mais transparente possível. O interessado precisa ter noção da situação atual do negócio antes de assinar o contrato. Vale lembrar que, quem tem prioridade na compra, nesse momento, é o próprio franqueador.

Perder um franqueado – ou, perder um negócio -, com certeza não é nada agradável. Porém, isso acontece até mesmo nas melhores franquias. São muitos os fatores que podem levar ao afastamento de gestores. Por esse motivo, é importante que a rede tenha as ferramentas necessárias para enfrentar essas situações.

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