O relacionamento profissional entre franqueador e franqueado pode definir o sucesso de uma rede. Mas, problemas entre os dois lados podem surgir com o passar do tempo. O alinhamento dos papéis de cada um é essencial para que o negócio não seja prejudicado. Saiba as principais dificuldades que aparecem e o que fazer para contorná-las

Todo e qualquer relacionamento está sujeito a ter problemas. Tanto relacionamentos pessoais, quanto profissionais, são compostos por pessoas diferentes, com mentalidades diferentes, jeitos diferentes. Para se relacionar com o outro, é necessário ter noção de que o diálogo, muitas vezes, é o que sustenta eventuais crises. Em uma empresa, não é diferente. Advertências feitas por um chefe não aparecem por acaso, da mesma forma que más avaliações feitas por funcionários (ao menos em empresas democráticas), podem explanar tudo o que há de ruim e prejudicial na gestão de um negócio. Felizmente, o franchising é, ao menos normalmente, um modelo muito horizontal de negócio – o qual permite a positiva troca no relacionamento entre franqueador e franqueado.
É óbvio que sempre podem existir problemas na relação entre as duas partes. Falhas de comunicação, conflitos de interesse e, no pior dos casos, problemas contratuais podem fazer parte do relacionamento profissional entre franqueador e franqueado. A sorte é que para tudo há uma solução, ou ao menos, há prevenção. Fizemos uma lista de questões que podem ser raízes das mais diversas complicações na parceria, a qual deve estar alinhada para que a rede encontre sucesso. Vamos lá?

1º: Pouco contato durante treinamentos e dificuldades de suporte

Muitos dos problemas que franqueados têm com franqueadores, ou vice-versa, têm origem bem no início desse relacionamento. A fase inicial da atuação de um novo franqueado da rede consiste no treinamento que receberá para se tornar capaz de operar sua unidade de franquia. O treinamento é uma parte fundamental para a capacitação dos profissionais em prol do controle de qualidade da empresa – afinal, o franqueado gerenciará sua unidade por conta própria, tendo que respeitar a padronização da rede. É fundamental que o empreendedor em franquias se sinta seguro para replicar o modelo da marca da marca da melhor forma e fazer jus a ela. Tal segurança é adquirida através de um bom programa de treinamento. Para que seja realmente proveitoso, o processo deve ter mínima participação do franqueador, o qual em um cenário ideal, deve ser visto como uma espécie de mentor pelo novo franqueado.

É claro que o franqueador não consegue se fazer presente em todo o período de treinamento. O que acontece, entretanto, em muitas redes de franquias, é que alguns franqueadores não proporcionam ao franqueado a atenção que pode ser decisiva para o aprendizado do operador da futura loja. Durante as aulas, é importante que haja o mínimo de disponibilidade, a fim de que dúvidas sejam esclarecidas e de que o franqueado sinta que possa contar com um ponto de referência. Por outro lado, é indispensável que do lado do operador haja interesse em criar um relacionamento profissional forte com o franqueador. O pouco contato entre as partes durante esse período não estimula o desenvolvimento dessa relação, que até mesmo por contrato, terá que existir.

Caso não haja firmeza na relação entre as duas partes, o que se sucede, também, são problemas envolvendo o suporte a crises durante a rotina da franquia. A fluidez entre franqueador e franqueado faz toda a diferença na solução de problemas que surgem no dia-a-dia de uma unidade. Fluidez se adquire por conhecer o outro. Quando franqueador e franqueado conhecem suas qualidades e seus defeitos, fica muito mais fácil de encontrar os melhores meios para se trabalhar em equipe.

O que fazer para evitar essa dificuldade?

a) Utilização de EAD para a participação ativa do franqueador durante treinamento;
b) Incentivar proximidade profissional entre franqueador e franqueado em rede.

2º: Problemas de comunicação na rotina da unidade

Não basta apenas a confiança e a proximidade no relacionamento profissional entre franqueador e franqueado. A eficiência entre essa comunicação é uma peça chave para que a parceria tenha os melhores resultados. Muitas vezes, a comunicação entre as partes é prejudicada pela rotina cheia de ambos os profissionais – mas isso não é desculpa para que existam falhas. Um canal mal organizado e lento para que aconteça o contato rotineiro entre franqueador e franqueado pode gerar uma série de complicações envolvendo a padronização da unidade, seu funcionamento e sua gestão de crises. Isso, nos mais variados momentos: durante novas campanhas, em meio à falta de matéria-prima para produção e com problemas inusitados a serem resolvidos. Quem sai prejudicado, no final das contas, é o cliente – que não hesitará em ter uma imagem ruim sobre a marca.

Deve haver à disposição de franqueador e franqueado um canal de comunicação acessível, rápido, centralizado e completo, que supra as demandas de ambas as partes. Isso evita falhas e aproxima, efetivamente, a rotina das duas partes, que muitas vezes trabalham a centenas de quilômetros de distância.

O que fazer para evitar essa dificuldade?

a) Contar com uma plataforma online de gestão de franquias para organizar sua comunicação (ver: módulos da Central do Franqueado).

3º: Descaso para a unidade / descaso para a rede

Isso é algo mais comum em relações profissionais mais distantes, mas que pode vir a acontecer com todo franqueado ou franqueador. Uma pedrinha no sapato de um relacionamento em rede de franquias pode ser sentida como descaso – do franqueador que não dá a devida atenção à unidade, ao franqueado que não pensa no sucesso da rede como um todo. No primeiro caso, é bastante prejudicial ao operador de uma loja – principalmente daquela que não está tendo bons resultados de venda – que o franqueador não dê auxílio ao franqueado para que a situação se reverta. Tal auxílio pode acontecer de diversas formas, como por exemplo, através do direcionamento do investimento obrigatório destinado ao fundo de marketing da franquia, realizado de acordo com o contrato assinado pelo franqueado. Entre esses e outros direitos, o franqueado pode contestar a direção da rede quando percebe que há certo descaso do franqueador para a sua unidade.

Da mesma forma, franqueados que não possuem boa conduta de trabalho podem prejudicar e muito sua relação profissional com o franqueador e, consequentemente, todo o crescimento da rede. O descaso com normas padronizadas e metas estabelecidas em conjunto é a pior coisa que um operador de loja pode fazer. Essa não é a melhor forma de obter retorno por uma unidade e pode acarretar em sérios problemas contratuais.

O que fazer para evitar essa dificuldade?

a) Realizar reuniões periódicas entre franqueador e franqueado, para troca de feedbacks e definição de metas da rede por interesse conjunto.

4º: Desentendimentos contratuais

Todos os problemas citados anteriormente, se não resolvidos, podem levar a este último. O desentendimento entre franqueador e franqueado pode acabar abordando o que consta no contrato de franquia a respeito das mais diversas questões: obrigações de suporte, obrigações de exclusividade de instalação de lojas em determinados locais e também, de obrigações financeiras por parte do franqueado, claro. Se o operador perceber que o franqueador não está cumprindo com o que consta no contrato e, então, que está se sentindo prejudicado, ele pode ocorrer judicialmente. Da mesma forma, se o franqueador comprovar irregularidades por parte do franqueado, o mesmo pode acabar perdendo seu negócio e recebendo uma multa nada agradável.

Para os dois lados, entrar na justiça não é coisa boa. Para a rede então, é pior ainda. A reputação de uma rede de franquias é prejudicada com esses casos, tornando mais difícil a expansão pelo investimento de novos franqueados. Franqueador e franqueado normalmente perdem dinheiro nesse processo – e para ambos, há a frustração de aceitar que o investimento não deu certo.

O que fazer para evitar essa dificuldade?

a) Realizar auditorias constantemente nas unidades de franquia, para que problemas entre franqueador e franqueado sejam detectados rapidamente.

Com tudo o que foi exposto, é fácil entender o porquê do firme relacionamento profissional em franquias ser a base do sucesso em rede. Fazer franchising é, acima de tudo, trabalhar em equipe. Para isso, é necessária a dedicação, a comunicação e a união.
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