O Brasil é um dos maiores mercados de franquias do mundo. Em 2015 o segmento apresentou um crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Apesar do excelente momento vivido pelo setor, investir em uma franquia não é garantia de sucesso.

Gustavo Garcia, especialista em vender empresas e fundador do meuBiZ, aponta os 3 erros que não devem ser cometidos por quem deseja abrir uma franquia.

Desconhecer o modelo de franchising

Para Gustavo, boa parte dos erros ao se investir em uma franquia vem do desconhecimento do modelo de franchising. O modelo é regulado no Brasil desde 1994, com a criação da Lei nº 8.955/94, a chamada Lei de Franquias.

Esta lei foi inspirada no modelo norte-americano e obriga que um novo franqueado avalie o negócio por meio de uma Circular de Oferta de Franquias (COF) oferecida pelo franqueador. Esta lei possibilidade a qualquer empresa franquear o seu negócio desde o início, o que facilitou a entrada de muitas franqueadoras no mercado. Esse dispositivo traz impactos bons e outros ruins, principalmente a criação de franquias sem nenhuma experiência ou diferencial. Fuja delas e conheça a Lei 8.955/94 antes de iniciar seu investimento.

Desconhecer o funcionamento da franquia escolhida

Gustavo explica que algumas pessoas depositam demasiada confiança em uma marca famosa e esquecem que o trabalho duro no dia a dia também é necessário. Uma marca bem estabelecida é um passo importante, mas não é sinônimo de sucesso.

Operar uma franquia dá tanto trabalho quanto operar um negócio com marca própria. Você salta algumas etapas, mas o cotidiano do empreendedor é bastante trabalhoso. Muito mais árduo do que se você fosse um empregado, com uma responsabilidade muito maior, afinal, é o seu dinheiro que está em jogo.
Por isso, tenha sempre em vista que o dono precisará entender do negócio e, para isso, é fundamental operá-lo. Não estar à frente do negócio e colocar um gerente para administrá-lo é possível, mas não é o melhor caminho. Sem conhecer da operação ninguém consegue cobrar de seus funcionários.

A verdade é que o sucesso de um negócio, seja ele franquia ou não, depende muito do perfil do empreendedor. Por isso, se ele não tiver motivação para aquele tipo de negócio, não adianta enxerga-lo como investimento. Para alguns segmentos será fundamental, por exemplo, trabalhar nos finais de semana. Por isso, não olhe apenas para a marca ou para a expectativa de retorno de uma franquia, conheça a sua operação, aconselha Gustavo Garcia.

Fazer projeções financeiras incorretas

Alguns interessados em abrir franquias acreditam simplesmente nas expectativas apresentadas pela marca e se dão muito mal. Esse é um erro que não deve ser cometido. Um potencial franqueado deve pesquisar os verdadeiros custos de abrir a franquia e de operá-la durante algum tempo sem ter faturamento.
Faça um estudo específico para o seu negócio, recomenda Gustavo. Os custos de iniciar uma empresa são diferentes em cada cidade, assim como o faturamento pode variar a depender da localização do negócio.

A melhor forma de estimar gastos para implantação, para operação e expectativa de faturamento é conversando com empreendedores que já possuem a mesma franquia. Ao encontrar-se com eles, questione quanto eles gastaram para abrir, como foi a implementação, o suporte, como estão as vendas, quais os desafios enfrentados.

Pergunte sobre o capital de giro necessário, um dos pontos fracos das expectativas financeiras. Fazendo estimativas muito otimistas, os empresários se esquecem de que nos primeiros meses as vendas são baixíssimas e é preciso pagar os funcionários, aluguel, despesas mensais e até mesmo royalties. E com os juros do mercado brasileiro, buscar um empréstimo não é a melhor opção.

Lembre-se que a única maneira de ser surpreendido positivamente é não ser otimista em suas projeções financeiras.

Conheça também os 5 passos para se preparar antes de abrir uma franquia